30.12.12


soltei uma lágrima e começou a chover. passado algum tempo confundi com uma multidão de pessoas a correr, pois o barulho era quase idêntico. as minhas lágrimas acompanhavam o seu ritmo. caiam sem dó nem piedade e molhavam as minhas sardas com tanta intensidade quanto a chuva molhava as folhas das árvores. e se eu sorrir? será que o sol nasce da noite escura para nos mostrar que melhores dias virão? um dia experimento. não se admirem se o sol nascer às 3 da manhã. sou só eu a sorrir. mas... e se esta fosse a realidade? por cada sorriso, um raio de sol, e por cada lágrima, mil tempestades. pensem nisso e lembrem-se... quem anda com os pés molhados constipa, mas quem apanha sol apenas morena.

24.7.12


hoje acordei. sim, só. simplesmente acordei. quase tão vaga quanto as palavras que deixo cair de longe a longe, abri os olhos, levantei-me silenciosamente e fui até à janela. nela pouco vi. mundo era agora o meu reflexo: vazio, sem cor, sem sabor, sem pedaçinhos de amor. o sol de ontem não deixou qualquer rasto. temo até que fosse alucinação minha, pois o céu de hoje está preenchido por uma imensidão de núvens de tons escuros que de tão gigantes que são chegam até a esconder mais de metade das montanhas que vejo todos os dias. a chuva cai tão leve quanto o vento que abana as folhas das árvores. decidi finalmente preparar-me, com o mesmo passo lento com que tenho andado sempre.
já tinha saudades de vestir a tua camisa. tenho cada vez mais de nós. o nosso tempo, as nossas memórias, a nossa roupa, as nossas memórias, a nossa roupa. mas... faltas-me tu. quando as minhas lágrimas teimam em cair, faltas tu para as limpar; quando o meu sorriso teima em não sair, faltas tu para o libertar; quando as saudades apertam, faltas tu para as acalmar; quando o meu coração cai, faltas tu para o segurar. faltas-me tu, meu amor, faltas-me sempre tu.

19.3.12

Estou cansada de ti.
Sim, de ti!
A dor já não te serve de alimento
Precisas de lágrimas, de gritos de raiva
É o teu alento.
Admite!
Não saber fazer as pessoas sorrir,
Quanto mais rir...
Desiste!
Já não te quero mais.
Pára de travar o sol
E esconder a lua
Pára de pintar as paredes do meu quarto de negro
E pensar que ainda sou tua.
Já sais nos jornais
Estás a ficar conhecida até demais
Por isso vai-te embora
Vai para outro cais!
Vai sem demora
Que o comboio da vida não espera
E descansa que ainda nos haveremos de encontrar
Pois afinal vivemos numa esfera.
Mas por enquanto
Sinto-te e digo-te
Sozinha neste banco
Mais forças já não tenho
Deixa-me ficar no meio do rebanho.
Sim, isso! Quero despedir-me de ti
E dizer-te que tal crueldade nesta vida vi
Mas sabes,
Nunca mais te quero sentir
Porque ninguém é alguém sem sorrir.
Vai-te, ó!
Tu que não tens dó
Segue o rumo do vento
Que eu estou farta deste sentimento.
Vai e segue sem os teus
Até um dia distância...
Adeus, adeus!

13.3.12